Há algum tempo tenha visto vídeos e textos de pessoas que buscam os chamados dumbphones por entender que assim conseguiriam minizar o estrago que os smartphones causam na vida. Por isso, buscam esses telefones como uma forma de afastar de si mesmos a possibilidade de uma recaída.
Eu tenho meus 29 anos e cresci no iníco dos anos 2000, onde os telefones eram apenas telefones mesmo. Usava para ligação, talvez um sms e as funções de calculadora, despertador e um joguinho de futebol que vinha instaldo no Nokia 1600.
Mas era isso. E só. É difícil imaginar hoje em dia que as pessoas viveram assim. Não tinha como ver o Youtube a hora que quisesse ou mesmo ficar rolando o feed do instagram, facebook.
Sempre me pergunto se realmente precisamos trocar os nossos telefones para sermos mais felizes. Seriam eles o problema?
Antes a nossa vida não tinha tantos estímulos para roubar a nossa atenção. Ou se haviam para alguns, esses estímulos não eram tão seduzentes assim como a foto de uma pessoa de biquini passando na sua frente.
Por exemplo, uma pessoa que não tinha um smartphone pegava sua mochila e ia trabalhar e ia no trajeto de ida e volta, no máximo ouvindo seu mp3, que tinha um número limitado de músicas.
Tinha que fazer a sua comida e nesse meio tempo não havia como rolar o feed do instagram ou mesmo ficar escolhendo qual o próximo vídeo do youtube. Mesmo que não fizesse a própria comida, o tempo ocioso era gasto com alguma atividade que exigia bem menos tomadas de decisão e bem menos causadora de ansiedade.
Penso que o grande problema ocasionado pelos smartphones seja a infinita possibilidade de tudo. Você pode buscar um vídeo de um cachorro latindo ou instalar um app que com base na sua geolocalização escaneia o céu e te dá alí na tela todos os astros da nossa galáxia.
É bizarro. E acho que nosso cérebro não conseguiu acompanhar esse aumento de possibilidades. Possibilidades esssas que geram a necessidade de decidir o que fazer, o que ver, qual o próximo vídeo, aquele app ou o outro...
Nesse contexto da infinita possibilidade de tudo, o que mais perigoso é a busca pela próxima notificação. Comente nesse post de você já se pegou abaixando a barra de notificação só para ver se ja tinha alguma notificação de curtida na rede social, um novo e-mail, etc.
Parece que vivemos sempre em busca de alguma coisa mas que não sabemos bem o que é, apenas que vem da rede social e que é boa.
Penso que a incessante busca de algo novo nos torne seres extremamente dependentes disso e, na ausência, um poço de tédio, que nem suporta 30 minutos sem rolar o feed em busca de uma foto nova de alguém que você nem conhece.
Dito isso, será que os dumbphones seriam suficientes para resolver o problema que atinge quase todo mundo que usa redes sociais?
Certamente o uso de telefones simples que impossibilitem o acesso a toda esas gama de estímulos melhora e muito a vida de alguém e até faça ela ver que existe um mundo aqui fora, mas penso que para além disso é necessário mesmo uma mudança de postura com a vida.
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